April 10, 2008

Lembrei-me de um fato um tanto quanto desconfortável, hoje, ao ler esse post.

Comíamos um xis e falávamos sobre nada quando ele, da forma mais natural possível, confessou (não me parecia arrependido, mas usarei o termo confessar, mesmo) que não só gostava de anime/mangá como havia andado com seres de gosto semelhante.

Não que meus namorados anteriores não gostassem desse tipo de coisa. Gostavam, e jogavam CS, colecionavam revistinhas, diziam “joinha, champs!”.

Só que era algo declarado: eu os “escolhi” porque não gostavam do que eu gostava, por mais contraditório que pareça. Mais ou menos como o Cleber, não gosto de discutir literatura, política ou minhas musiquinhas com namorados. Que me contem sobre o dia que tiveram, o que aconteceu no ônibus ou como gostaram de um seriado qualquer. Apenas nos últimos meses adotei como critério excluir da minha lista meninos que tivessem um perfil literário / musical / político muito discrepante. Percebi que me causava extremo desconforto ouvir abobrinhas sobre esses e outros assuntos.

Por que então eu fiquei com aquela cara de besta - e protestei, ah, como protestei! - quando ouvi que o outro gostava daquilo? Porque eu não esperava. Por não parecer que havia um passado que o condenasse. Porque ele ocultou, sem querer, o fato.

Mesmo assim, não foi com alegria alguma que, no mesmo dia, fui cordialmente dispensada.

Parece-me agora mais interessante saber previamente de fatos e gostos diversos, a saber da verdade quando já não conseguimos permitir que as idéias diversas nos incomodem.

Ou seja, quando a ressaca moral passar e eu finalmente desistir, voltarei a dar chances aos moços alheios ao que gosto ou não. Afinal, beleza e capacidade de me deixar em silêncio são qualidades que independem de música e leituras.