Archive for May, 2007

Mutantes – um relato

Ontem foi dia 26… Um grito, ele amou!

O setlist foi o mesmíssmo do Barbican, só mudaram algumas coisas das quais eu havia reclamado aqui.

Eles tocaram Virgínia em português. O Sérgio cantou “eu me lembro de janeiro”, mas enfiou um “I remember in December” depois. Confesso que já simpatizo com essa adaptação… O Arnaldo estava muito mais inteiro que eu supunha. Caminhou bastante e fez das suas.

Eu, há uns quatro anos atrás, costumava ir ao Sesi. Em nenhuma das vezes eu vi tanta gente em pé, tanta algazarra.

O que importa é que foi divertido. Gastei bem os meus pilinhas.

Side effects

O último livreco que terminei foi o Que loucura!, contos do Woody Allen. Caótico demais. Os primeiros contos são muito engraçados. Alguns têm uma estrutura muito boa. A linguagem é coloquial demais, o que eu considero um defeito - apesar de nem sempre ser um.

O verdadeiro problema são os finais. Mais nonsense que os meus posts no “Reclame da vida” ou no “Estamos falando sozinhos, não leiam”, mais sem pé nem cabeça que as resoluções da UFRGS sobre créditos complementares! Enfim, acho que vocês já compreenderam que o cara é maluco.

Só que, por mais que o final de um bom conto deva ser surpreendente e trazer um elemento “mágico”, “fantástico”, pouco crível, precisa haver um mínino de coerência entre o que foi dito durante o conto e o final.

Faz sentido que um cara cuspa coelhinhos? Não. Mas parece crível que o mocinho que dá a luz a coelhos pelo estômago sinta-se envergonhado pela sujeira e bagunça que eles fazem e resolva escrever uma carta pedindo desculpas por isso.

Agora, escrever uma história excelente sobre um cara que conhece a Mme. Bovary através de uma máquina de colocar as pessoas pra dentro de livros terminar com

A mágica não o transportara para O Complexo de Portnoy, nem para qualquer outro romance, e sim para uma tábua de logaritmos, na qual ele se viu acuado por um exército de dízimas periódicas , que o condenaram a engolir milhares de vírgulas, para sempre.

é terrível, convenhamos.

Ontem fui a uma confeitaria para escrever meu memorial, a ser entregue na quarta-feira. Em uma hora, escrevi sobre a minha vidinha.  Tranqüilamente, com um moleskine e uma bic. Um capuccino delicioso e uns dois pães de queijo foram consumidos lentamente. Apesar dos barulhos ao redor, a tarefa foi mais simples que imaginei.

Acreditei que não levaria mais de uma hora para digitá-lo. Pobre néscia…

Como digitar um trabalho com msn, gtalk, emails, blogs, fóruns, enfim, toda essa socialização a me chamar?

Engraçado como é mais simples concentrar-me em um bairro boêmio – sabendo que amigos enchem a cara a uma quadra – que em minha casinha, sozinha, na frente de um pc.  Só a Internet para causar uma bizarrice dessas.

Ontem fui a uma confeitaria para escrever meu memorial, a ser entregue na quarta-feira. Em uma hora, escrevi sobre a minha vidinha.  Tranqüilamente, com um moleskine e uma bic. Um capuccino delicioso e uns dois pães de queijo foram consumidos lentamente. Apesar dos barulhos ao redor, a tarefa foi mais simples que imaginei.

Acreditei que não levaria mais de uma hora para digitá-lo. Pobre néscia…

Como digitar um trabalho com msn, gtalk, emails, blogs, fóruns, enfim, toda essa socialização a me chamar?

Engraçado como é mais simples concentrar-me em um bairro boêmio – sabendo que amigos enchem a cara a uma quadra – que em minha casinha, sozinha, na frente de um pc.  Só a Internet para causar uma bizarrice dessas.

Comprinhas

Ah, o consumismo…

Livros – Morte – NEIL GAIMAN – ( Envio normalmente em 3 dias úteis )
Quantidade: 1
Valor/Unidade: R$ 45,90
SubTotal: R$ 45,90

Livros – Dostoiévski: “Bobók” – PAULO BEZERRA – ( Envio normalmente em 3 dias úteis )
Quantidade: 1
Valor/Unidade: R$ 29,00
SubTotal: R$ 29,00

Livros – Invenção de Morel, A – ADOLFO BIOY CASARES – ( Envio normalmente em 3 dias úteis )
Quantidade: 1
Valor/Unidade: R$ 39,00
SubTotal: R$ 39,00

Importados – Borges – Bioy Casares, Adolfo – ( Envio normalmente em 30 dias corridos )
Quantidade: 1
Valor/Unidade: R$ 81,53
SubTotal: R$ 81,53

Livros – Noite do Oráculo – PAUL AUSTER – ( Envio normalmente em 3 dias úteis )
Quantidade: 1
Valor/Unidade: R$ 41,50
SubTotal: R$ 41,50

Tudo isso com frete grátis, descontinho de R$30 e em várias parcelas.
Também cortei o cabelo, comprei sapatos. Não resolveu.

Ontem, comprei uma viagem só de ida pra pqp. Veremos.

Once and Never Again

 the long blondes

Recomendação musical do momento:

The Long Blondes. Bandinha divertidíssima, letrinhas tristonhas e melodias alegrinhas. Conquistou meu coração na primeira audição – ó, clichê.

Seria apenas uma indicação banal, não fosse por um pequeno detalhe:

We were 4 librarians and a vintage clothes dealer.

Cinco integrantes. Quatro ex-bibliotecários/funcionários de biblioteca. Aposto que os DACOM nunca imaginaram que existiam bibliotecários mais cool que eles, hehehe.

Além disso, as musiquinhas são fantásticas:

“19. you’re only 19 for God’s sake,
Oh, you don’t need a boyfriend.
19. you’re only 19 for God’s sake,
Oh, you don’t need a boyfriend. ”

Once and Never Again

“Eighty percent of lovers never forget their first
that significant other whose departure makes things worse
well, this is you down to a tee
i can see you won’t forget her
yet she met untimely death a year ago

technically
this is

appropriation by any other name
you can’t have me and make me act the same
the way you treat me is inappropriate
but you dont stop to think about that”

Appropriation

Vocês podem ouvi-los legalmente no myspace.

Formação de vocábulos

carla says (22:12):
criei tabas tb
lilly, says (22:12):
ahn
carla says (22:12):
ops
carla says (22:12):
abas
carla says (22:12):
assahsuahs
lilly, says (22:12):
sim sim
carla says (22:12):
tabs + abas
lilly, says (22:12):
uhun

Sobre tumbas

vista do CIT

Considero-me cética em excesso. Mesmo ao ver, duvido. Tudo pode ser um truque. Tampouco acredito em assombrações. Nunca senti-me incomodada em cemitérios, por exemplo. Entretato, confesso que trabalhar olhando pra um cemitério não é algo muito confortável no início.

Continue reading ‘Sobre tumbas’

Arquivo de e-mails

Depois do GMail começamos uma nova cultura.
Explico de antemão que não o digo por ser uma googlemaníaca: nós simplesmente não queremos mais deletar e-mails e o Google foi o pioneiro dessa idéia. Fazer uma limpa na caixa não significa mais que o limite está pra estourar, e sim que vamos tirar os lixos inúteis. As demais conversas e mensagens, não. Queremos manter esse tipo de memória conosco, assim como faziam nossos antepassados com suas cartinhas e bilhetes – putz, ainda guardo cartas e bilhetes! Sou uma velha.
Como não só de memória individual faz-se uma sociedade, a British Library pula na frente da Library of Congress e inventa de arquivar e-mails:

The ‘Email Britain’ campaign, which will run throughout May, asks the British public to make email history by forwarding a memorable or significant email from their sent mail or inbox, for inclusion in a digital archive that will be stored at the British Library for future generations [. . .] Emails should be submitted under one of the following categories which should be typed into the subject box of the email: Blunders, Life Changing Emails, Complaints, Spam, Love and Romance, Humour, Everyday Emails, News, World Around You, Tales from Abroad.

Repito, com ênfase: um arquivo de e-mails. Público. Com vários e-mails de várias pessoas. As criaturas enviam o que desejam tornar público – já que, logicamente, ninguém sairá a invadir caixas de e-mail desprotegidas.

Uma excelente contribuição para a tal da memória coletiva. Podemos saber muito sobre uma época ao ler um punhado de cartas antigas. Por que não possibilitar aos futuros curiosos uma visão dos spams de hoje? Das piadinhas sobre o Bush? Do estilo (?) miguxo de alguns emails de amor?

Vocês enviariam algo para um arquivo semelhante na Biblioteca Nacional?

Perdi.

Que mais que um ludo ou jogo é a extensa vida,
Em que nos distraímos de outra coisa -
Que coisa, não sabemos -
Livres porque brincamos se jogamos,
Presos porque tem regras cada jogo;
Inconscientemente?

Feliz o a quem surge a consciência
Do jogo, mas não toda, e essa dele
Em o saber perdê-la*

A rotina está deveras estressante. Não bastasse estar em meio a um semestre dos mais difíceis – não pela dificuldade das disciplinas, sim por estar no momento biblioteconomia: ame-a ou deixe-a – resolvo começar academia. Sobrevivi à primeira semana com algum louvor. Não deixei de fazer absolutamente nada do que estava previsto. Minto: esqueci-me de comprar tinta para a impressora. Minha memória nunca funcionou, na verdade.

A poesia é aleatória, não está diretamente relacionada ao post. Quer dizer, faz algum sentido; sou livre para fazer algumas escolhas e estou presa a parcas alternativas. Escolhi deixar o sedentarismo para quando não houver remédio e sofrerei as conseqüências do tempo reduzido. Claro, escrevo sobre a academia pois não tenho mais a menor vontade de fazer longos posts discutindo a minha vida comigo mesma em público.

Postei-a também por um motivo mais bobinho. Terminei de ler as Odes nessa semana. O Ricardo Reis é comovente com seu niilismo meigo. É meu heterônimo favorito, talvez influência do único Saramago que li – e não gostei. Talvez eu poste outras ao longo da semana, mas enfim, essa foi a selecionada para o blog pois lembrou-me O JOGO quando a li.

Sei que perdi, sei anunciar a derrota; entretanto, também sei esquecer-me de tudo isso quando convém.

*PESSOA, Fernando. Odes de Ricardo Reis. Porto Alegre: L&PM, 2006. p. 144.

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