April 10, 2008

Lembrei-me de um fato um tanto quanto desconfortável, hoje, ao ler esse post.

Comíamos um xis e falávamos sobre nada quando ele, da forma mais natural possível, confessou (não me parecia arrependido, mas usarei o termo confessar, mesmo) que não só gostava de anime/mangá como havia andado com seres de gosto semelhante.

Não que meus namorados anteriores não gostassem desse tipo de coisa. Gostavam, e jogavam CS, colecionavam revistinhas, diziam “joinha, champs!”.

Só que era algo declarado: eu os “escolhi” porque não gostavam do que eu gostava, por mais contraditório que pareça. Mais ou menos como o Cleber, não gosto de discutir literatura, política ou minhas musiquinhas com namorados. Que me contem sobre o dia que tiveram, o que aconteceu no ônibus ou como gostaram de um seriado qualquer. Apenas nos últimos meses adotei como critério excluir da minha lista meninos que tivessem um perfil literário / musical / político muito discrepante. Percebi que me causava extremo desconforto ouvir abobrinhas sobre esses e outros assuntos.

Por que então eu fiquei com aquela cara de besta - e protestei, ah, como protestei! - quando ouvi que o outro gostava daquilo? Porque eu não esperava. Por não parecer que havia um passado que o condenasse. Porque ele ocultou, sem querer, o fato.

Mesmo assim, não foi com alegria alguma que, no mesmo dia, fui cordialmente dispensada.

Parece-me agora mais interessante saber previamente de fatos e gostos diversos, a saber da verdade quando já não conseguimos permitir que as idéias diversas nos incomodem.

Ou seja, quando a ressaca moral passar e eu finalmente desistir, voltarei a dar chances aos moços alheios ao que gosto ou não. Afinal, beleza e capacidade de me deixar em silêncio são qualidades que independem de música e leituras.

March 25, 2008

Alice e eu voltávamos da escola. Paramos na sinaleira e uma mulher começou a puxar papo. Comentou que eu era novinha e perguntou se a Alice era minha.

- É, mas ela é comprida, viu? Tem só quatro anos…
- Mas quantos anos tu tens?
- Ahn, 20.
- Pois é

E pensei que lá vinha um discurso e o que veio foi…

… também sou mãe nova. Eu tenho uma filha de 29 e um de 23.

Ela parecia muito jovem. Eu daria uns 38 pra ela, no máximo.

Em duas quadras, ela dissertou sobre os sentimentos mais comuns; família, dinheiro, trabalho, cansaço, vontade de largar tudo e falta de disposição pra ter filhos depois.

Sim, concluímos que quem tem filhos cedo é porque “sabe” que não terá pique / condições / vontade de tê-los depois de mais velha.

Nos apresentamos (Marisa, ela, como minha mãe), ela me disse a real idade (43!) e o número de netos (dois! um de 11 anos e outro de 2 anos) e fui pra casa com a certeza de que nem tudo está perdido - mas que ainda terei muito tempo disso tudo.

Não pensem que era uma mulher de baixa renda ou milionária - justamente como eu, moradora da mesma região, fazendo compras nos mesmos lugares, usando roupas boas.

Nós duas sabemos que não foi falta de informação, foi falta de juízo - que veio pro bem.
Não fosse por acidente, jamais seríamos mães.

Novo velho blog

February 10, 2008

O que fazer com esse endereço? O que fazer do enfim.org? Não pretendo abandoná-los, os domínios, mas não sei o que fazer deles.

Ainda não sei, acho que nunca soube.

Meus blogs pessoais nunca tiveram nenhuma forma de planejamento.

Talvez isso seja bom, não sei. Preciso de silêncio pra pensar.