A sensação horrível de estar permanentemente me distraindo não sai de mim.
Não distraída como os que necessitam de ritalina — sou concentrada até demais — mas como se todas as minhas ações servissem pra distrair a minha cabeça de algo importante.
Se estou com a Alice estou me distraindo — do quê?
Se estou com o Guilherme estou me distraindo — por quê?
Se vejo um filme, se ouço música, se leio ou se trabalho. Se estudo, se saio pra dançar, se resolvo beber. Tudo é distração.
Como se eu estivesse escondendo algo grave de mim. “Não posso perceber, não posso descobrir, preciso me distrair.”
Tenho uma necessidade mosntruosa de manter a cabeça ocupada. Quando, finalmente, consigo me libertar de todas as distrações usuais, vem o barulho do chuveiro, os buracos na parede, os quadros tortos, a bagunça generalizada.
Pode ser porque “había un solo túne, oscuro y solitario: el mío.” Sempre estamos tentando esquecer o fato de que, no fundo, somos todos sozinhos. Entretanto, suspeito que haja algo mais. Nem sei se quero descobrir o que é. Afinal, é hora de tomar um chimarrão e comer uma pipoca.